Implantes faciais de silicone são contraindicados? Entenda os riscos da reabsorção óssea
Implante facial de silicone: Entenda por que pode causar reabsorção óssea e quando considerar remoção ou substituição.
Por: Dr. Fabio Barros – Cirurgião-Dentista (CRO RJ 31728), especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) e Harmonização Facial.
Publicado em: 06 de maio de 2026
Implantes faciais de silicone no mento podem causar reabsorção óssea progressiva ao longo dos anos devido à micro movimentação contínua da prótese sobre o osso mandibular. Por isso, muitos cirurgiões atualmente preferem materiais rígidos e fixados ao osso, como PMMA rígido e polietileno poroso.
Em resumo
- Implantes de silicone no queixo podem gerar micro movimentação crônica.
- Essa mobilidade pode estimular erosão óssea mandibular progressiva.
- O problema costuma ser lento, silencioso e cumulativo.
- Próteses rígidas parafusadas tendem a oferecer maior estabilidade biomecânica.
- A perda óssea pode comprometer o resultado estético conquistado inicialmente.
O que é um implante facial de silicone?
O implante de mento de silicone, é uma prótese utilizada para aumentar a projeção do queixo e melhorar o perfil facial.
Durante décadas, esse material foi amplamente utilizado em mentoplastias por apresentar fácil adaptação cirúrgica e relativa maleabilidade.
O problema é que justamente essa maleabilidade pode se transformar em desvantagem biomecânica a longo prazo.
O principal problema do silicone no mento não é o material
“O principal problema do silicone no mento não é o silicone em si, mas sua mobilidade crônica sobre o osso.”
Esse ponto é fundamental.
Enquanto próteses rígidas, como PMMA rígido e polietileno poroso, costumam ser fixadas ao osso com parafusos, o silicone pode apresentar pequenos movimentos contínuos na região mentoniana.
Essa mobilidade repetitiva gera:
- Pressão localizada;
- remodelação óssea adaptativa;
- erosão cortical;
- reabsorção progressiva do osso.
Como acontece a reabsorção óssea causada pelo silicone?
A reabsorção óssea mandibular é um processo biomecânico.
O osso responde constantemente aos estímulos mecânicos recebidos. Quando existe uma prótese móvel pressionando continuamente uma mesma área óssea, o organismo pode iniciar um processo de remodelação adaptativa.
Na prática, isso pode gerar:
- Afinamento ósseo progressivo;
- perda da espessura cortical;
- erosão do mento mandibular;
- diminuição gradual da projeção facial.
Em muitos casos, esse processo demora anos para se tornar perceptível.
O que os estudos científicos mostram?
A relação entre implantes mentonianos e reabsorção óssea já foi discutida em diversos estudos da literatura maxilofacial.
Robinson e Shuken já descreviam reabsorção óssea associada a implantes mentonianos aloplásticos desde a década de 1960.
Um estudo clássico publicado no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery por Robinson e Shuken, em 1969, já descrevia alterações ósseas associadas a implantes mentonianos aloplásticos.
Décadas depois, estudos tomográficos mostraram que a remodelação óssea abaixo de implantes de silicone pode ocorrer mesmo em pacientes sem sintomas clínicos aparentes.
Uma revisão publicada por Guyuron et al. demonstrou que a erosão óssea pode variar de discreta até significativa dependendo de fatores como:
- Mobilidade protética;
- tempo de implantação;
- espessura óssea inicial;
- técnica cirúrgica;
- posicionamento do implante.
Outro dado relevante é que muitos casos só são identificados em exames radiográficos ou tomográficos realizados anos depois da cirurgia inicial.
Referências científicas relevantes
- Robinson M, Shuken R. Bone resorption under plastic chin implants. Journal of Oral and Maxillofacial Surgery. 1969.
- Guyuron B et al. Estudos sobre remodelação óssea associada a implantes mentonianos aloplásticos.
- Avaliações tomográficas modernas demonstram que a erosão óssea pode permanecer assintomática por anos.
“A ausência de sintomas não exclui reabsorção óssea progressiva.”
Estudos clínicos demonstram que a erosão óssea abaixo de implantes mentonianos de silicone pode permanecer silenciosa durante anos.

Estudos tomográficos reforçam a preocupação biomecânica
Avaliações por tomografia computadorizada mostraram que alguns pacientes desenvolvem:
- Depressão óssea mentoniana;
- remodelação cortical;
- erosão óssea localizada;
- perda parcial da estrutura óssea anterior da mandíbula.
Quanto maior a mobilidade do implante ao longo dos anos, maior tende a ser o estímulo mecânico contínuo sobre o osso.
Estudos radiográficos de longo prazo demonstraram erosão óssea em grande parte dos pacientes avaliados, mesmo sem sintomas clínicos relevantes.
Classificação Dr. Fabio Barros da estabilidade protética facial
“Para facilitar a compreensão biomecânica dos implantes faciais modernos, desenvolvi uma classificação clínica baseada em estabilidade estrutural e potencial de micro movimentação protética.”
Com base em comportamento biomecânico e estabilidade estrutural, os implantes faciais podem ser divididos em três categorias clínicas:
Classe I – Alta estabilidade estrutural
Próteses rígidas fixadas ao osso com mínima mobilidade biomecânica.
Exemplo:
- PMMA rígido parafusado;
- polietileno poroso fixado.
Classe II – Estabilidade intermediária
Próteses parcialmente estáveis, com potencial reduzido de micro movimentação.
Classe III – Baixa estabilidade biomecânica
Implantes com maior possibilidade de mobilidade crônica sobre o osso.
Exemplo:
- Implantes mentonianos de silicone não rigidamente fixados
Essa classificação ajuda a compreender por que determinados materiais apresentam maior risco de remodelação óssea tardia.
Os 3 sinais de falha estrutural em próteses mentonianas de silicone
1. Perda gradual da projeção do mento
O paciente sente que o resultado diminuiu ao longo dos anos.
2. Alteração do contorno mandibular
A região pode perder definição ou apresentar assimetria progressiva.
3. Evidência tomográfica de erosão óssea
Em muitos casos, a tomografia mostra reabsorção óssea antes mesmo de sintomas importantes.
Silicone vs PMMA rígido vs polietileno poroso
| Critério | Silicone | PMMA rígido | Polietileno poroso |
| Mobilidade biomecânica | Maior | Muito baixa | Muito baixa |
| Fixação ao osso | Menor estabilidade | Parafusado | Pode ser fixado |
| Risco de erosão óssea | Maior preocupação | Menor | Menor |
| Estabilidade estrutural | Menor | Alta | Alta |
| Previsibilidade a longo prazo | Menor | Maior | Maior |
| Potencial de remodelação óssea | Maior | Menor | Menor |
Revisões modernas da literatura reforçam que implantes mentonianos móveis apresentam maior associação com remodelação óssea mandibular ao longo do tempo.
“Na cirurgia facial moderna, próteses rígidas fixadas ao osso tendem a oferecer maior previsibilidade estrutural a longo prazo do que implantes móveis de silicone.”
Essa visão vem se fortalecendo justamente pela preocupação crescente com:
- Preservação óssea;
- estabilidade biomecânica;
- manutenção do resultado ao longo das décadas.
PMMA rígido NÃO é PMMA injetável
Essa diferenciação é obrigatória.
PMMA rígido é uma prótese sólida e estrutural.
PMMA injetável é um material aplicado dentro dos tecidos.
São tecnologias completamente diferentes.
Misturar os dois conceitos gera desinformação clínica importante.
Quando remover um implante facial de silicone?
Casos clínicos brasileiros já relataram erosões ósseas extensas associadas a implantes mentonianos de silicone após muitos anos de evolução.
A remoção pode ser considerada quando existe:
- Reabsorção óssea significativa;
- perda estética progressiva;
- mobilidade protética;
- desconforto funcional;
- assimetria;
- erosão identificada em tomografia.
Em alguns casos, pode ser necessário:
- Reconstrução da região mentoniana;
- revisão de mentoplastia;
- substituição por prótese rígida.

O que fazer se você já possui uma prótese de silicone?
Ter uma prótese de silicone não significa automaticamente que haverá complicações graves.
Mas significa que vale a pena realizar:
- Avaliação clínica especializada;
- exames de imagem periódicos;
- acompanhamento da estabilidade óssea.
Principalmente em pacientes com muitos anos de cirurgia.
O ponto mais importante
A grande discussão moderna sobre implantes faciais não gira apenas em torno da estética imediata.
Ela gira em torno de:
- Biomecânica;
- estabilidade estrutural;
- preservação óssea;
- previsibilidade a longo prazo.
E é exatamente por isso que muitos especialistas passaram a preferir implantes rígidos e fixados ao osso.

FAQ
Implante de silicone no mento causa perda óssea?
Sim. A mobilidade contínua da prótese pode estimular remodelação e reabsorção óssea mandibular progressiva.
Todo implante de silicone precisa ser removido?
Não necessariamente. A decisão depende da presença de erosão óssea, sintomas, estabilidade e avaliação tomográfica.
O silicone no queixo perde efeito com o tempo?
Pode perder projeção progressivamente caso exista reabsorção óssea associada.
PMMA rígido é mais seguro que silicone?
Próteses rígidas fixadas ao osso tendem a apresentar maior estabilidade biomecânica a longo prazo.
Como descobrir se existe erosão óssea?
A tomografia computadorizada é um dos exames mais importantes para avaliação da região mentoniana.
PMMA rígido é igual ao PMMA injetável?
Não. PMMA rígido é uma prótese sólida estrutural. PMMA injetável é um material aplicado nos tecidos.
O que é remodelação óssea mandibular?
É a adaptação progressiva do osso em resposta a estímulos mecânicos contínuos.
Antes de escolher um implante facial
A pergunta mais importante não é apenas qual material melhora o rosto hoje.
A pergunta correta é:
qual material consegue manter estabilidade estrutural, preservação óssea e previsibilidade estética ao longo de décadas?
Na cirurgia facial moderna, biomecânica e estabilidade passaram a ser tão importantes quanto estética.
Fonte utilizada como inspiração para criar este artigo: https://www.youtube.com/watch?v=Lh0tK6cUDaM
Referências científicas
- Robinson M, Shuken R. Bone resorption associated with chin implants.
- Matarasso A. Bone resorption under chin implants. Journal of Craniofacial Surgery. 1996.
- Yeung AWK et al. Mandibular Bone Resorption Following Chin Augmentation. Frontiers in Surgery. 2022.
- Sciaraffia CE et al. Bone Resorption after Use of Silicone Chin Implants. PRS Global Open. 2018.

Dr. Fabio Barros – Cirurgião-Dentista (CRO RJ 31728), especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) e Harmonização Facial.
Atende Rio (Leblon/Centro) e São Paulo (Vila Olímpia).
Foco em naturalidade, segurança e planejamento individualizado.



